A importância das redes sociais e plataformas digitais para o artista
- Cristian Dal Solio
- 14 de dez. de 2019
- 3 min de leitura
Estamos entrando na terceira década de um novo milênio e o uso das redes sociais para os mais variados fins nunca foi tão intenso, desde a pura e simples comunicação com familiares e amigos até vendas e campanhas de publicidade super elaboradas e pensadas para atingir um público alvo.
Ninguém questiona que as redes sociais mudaram o mundo nestes últimos anos; estreitando relações entre as pessoas, facilitando o conhecimento e, que de certa forma, convivêssemos com culturas que antes só veríamos pela televisão em um “Globo Repórter” ou “Fantástico”. Enfim, o fato é que hoje, literalmente, tudo está ao alcance de um dedo, uma rolagem, um clique. Na música não é diferente, desde muito cedo cantores, bandas e grupos de todos os estilos vem buscando formas de expor sua música e alcançar mais público, o mercado mudou, evoluiu.
Vocês já ouviram falar do Napster, o terror das Gravadoras? Lá nos anos 90, esta, que foi a primeira plataforma de download gratuito de músicas da internet, foi perseguida pelas grandes gravadoras, por estar “tirando o dinheiro delas” e consequentemente, dos artistas. Esse foi apenas o início das inúmeras mudanças que o mercado sofreria, alterando definitivamente a forma que a música chega até as pessoas.
Já na virada do milênio, com o intuito de estreitar relações entre os artistas e o público, novos sites como o MySpace (2003) e SoundCloud (2007) emergiram, deixando de lado a burocracia e os contratos que eram comuns com as grandes gravadoras. Quem conheceu essas plataformas, lembra o quanto era divertido passar horas criando o seu MySpace para deixar com a cara da sua banda, ou mais tarde, no SoundCloud, trocando informações sobre música, curtindo e compartilhando com pessoas de todo o mundo.
Mas se formos ver, não parece fazer tanto tempo assim. Em 2009 estávamos praticamente cansados do Orkut e migrando para o novo e magnífico Facebook, já havia 3 anos que o Twitter estava sendo usado e que as pessoas estavam descobrindo o mais novo canal de mídia gratuito, o Youtube. Sem saber que em alguns anos, o Youtube seria o novo Napster, considerando, claro, as transformações que esta plataforma trouxe para a indústria da música e do entretenimento em geral.
E o mercado continua evoluindo, novas formas de consumir música não param de aparecer, aplicativos e sites de streaming surgem com novas ideias e promessas para os artistas o tempo todo. Spotify, Deezer, Tidal, Apple Music, Google Music, são só alguns dos nomes de uma lista quase interminável de possibilidades, sem falar nas empresas que trabalham para colocar as músicas dos artistas nestas plataformas, cobrando porcentagem e/ou valor pelo serviço, como no caso da OneRPM e CdBaby respectivamente. O fato é, o artista tem que estar onde o público está, para que o público queira ir onde o artista estará, ou seja, temos que estar nas plataformas, nos sites, nas rádios online e na mídia tradicional, nas conversas, nas redes, para que então, o público compre ingressos para shows e consumam os produtos para os quais fazemos publicidade.
O aplicativo Instagram, por exemplo, é uma das redes sociais mais utilizadas hoje em dia para esta finalidade, conectar direta e rapidamente o artista ao seu público. O fã sempre teve interesse em saber mais do dia a dia do artista, antigamente, isso só era possível acompanhando entrevistas em programas de rádio e tv, ou matérias em revistas e jornais, e na maioria das vezes, essa informação não era completa. Hoje, tudo está ali, nos stories, nos destaques e no feed desse artista, a disposição do seu fã.
Creio que todos já ouviram a expressão, “Quem não é visto não é lembrado.”? Nossas mães sempre diziam isso e sinceramente serve para muita coisa na vida, principalmente se você for um artista. É fato, hoje não se compra somente a música em si, se compra o artista, o que esse artista representa, o seu carisma, o que ele veste, sua aparência, as pessoas que ele movimenta, os lugares onde ele está. Claro que sua música importa, afinal, música mexe com as pessoas, mesmo uma música tecnicamente ruim, vide muitas das top 100 mais tocadas no Brasil.
No fim das contas, a música sempre foi isso, tocar pessoas, sentimento, identificação, ideias, movimento, nos tirar de onde estamos e colocar em outro lugar, ou citando a banda Medulla, “A música é a ponte para o outro lado”. E seguindo nessa visão poética, temos que fazer o público encontrar essa ponte, muitas vezes por sermos preciosistas demais com nossa arte, acabamos por ignorar estas necessidades.
As redes sociais contribuíram muito para as mudanças do mundo nas últimas décadas, sejam essas mudanças para melhor ou para pior, o fato é que mudou, mudou a nossa forma de consumir entretenimento, e alterou diretamente a forma como pensamos o próprio mundo, sendo assim, temos que aceitar essa mudança, pois como diz Henry Branco, “Quem não reage, rasteja!”.
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